TR (Taxa Referencial): Entenda o que é e como funciona
A Taxa Referencial (TR) é uma taxa de juros de referência utilizada no Brasil, criada na década de 1990. Embora sua importância tenha diminuído ao longo do tempo, ainda é utilizada como indexador em algumas aplicações financeiras e contratos de crédito.
O que é a Taxa Referencial (TR)?
A Taxa Referencial (TR) foi criada durante o governo Collor, em 1991, com o objetivo de ser uma taxa de juros de referência em um período de alta inflação e instabilidade econômica no Brasil. A intenção era que ela servisse como um parâmetro para os juros praticados no país, de forma similar ao que a taxa Selic representa atualmente.
Atualmente, a TR é utilizada principalmente como um índice de correção monetária para alguns investimentos e financiamentos, como a poupança e o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).
Como a TR impacta seus investimentos e financiamentos
Embora a TR tenha perdido relevância como indexador principal, ela ainda influencia alguns produtos financeiros populares no Brasil:
Poupança
A remuneração da poupança está atrelada à TR. Quando a TR aumenta ou diminui, isso impacta diretamente o rendimento da caderneta.
A remuneração da poupança segue uma regra que muda de acordo com o nível da taxa Selic:
- Selic acima de 8,5% ao ano: Poupança paga 0,5% ao mês + variação da TR.
- Selic igual ou abaixo de 8,5% ao ano: Remuneração é o equivalente a 70% da Selic + variação da TR.
FGTS
O FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) também é remunerado com base na TR. A rentabilidade do FGTS é de 3% ao ano mais a variação da TR.
Títulos de Capitalização
Os títulos de capitalização geralmente oferecem atualização monetária pela TR. No entanto, nem sempre pagam juros ou outra remuneração além disso.
Financiamento Imobiliário
Alguns contratos de financiamento imobiliário utilizam a TR para atualizar o saldo devedor. Além dos juros devidos pelo empréstimo, o montante a ser pago pode aumentar de acordo com a variação da TR.
Como a TR é definida e calculada?
O cálculo da TR é realizado pelo Banco Central do Brasil (BCB). Para calcular a TR, é preciso primeiro encontrar o valor da Taxa Básica Financeira (TBF).
Taxa Básica Financeira (TBF)
Até 2018, a TBF era calculada com base na média das taxas oferecidas nos CDBs (Certificados de Depósito Bancário) e RDBs (Recibos de Depósitos Bancários) prefixados emitidos pelos bancos nos últimos 30 dias.
Atualmente, a TBF é calculada com base nas taxas de títulos públicos prefixados do Tesouro Nacional – as Letras do Tesouro Nacional (LTNs). É considerada a média ponderada das taxas de juros praticadas no mercado secundário nas negociações com LTNs.
Cálculo da TR
Com o valor da TBF em mãos, o Banco Central aplica um redutor e só então chega à TR. Isso significa que a TR é sempre um pouco menor do que a TBF.
A fórmula para o cálculo da TR é a seguinte:
-
Calcular o redutor (R):
$$R = a + b \cdot TBF$$
Onde:- $R$ é o redutor.
- $a$ é um valor fixo igual a 1,005.
- $b$ é um valor definido pelo Banco Central.
- $TBF$ é a Taxa Básica Financeira.
- Calcular a TR:
$$TR = 100 \cdot \left[ \frac{(1 + \frac{TBF}{100})}{R} - 1 \right]$$
Por que a TR fica zerada?
A TR já ficou zerada em vários períodos ao longo da história. Isso ocorre quando a taxa básica de juros da economia está muito baixa.
Como a TR é calculada após a aplicação de um redutor sobre a TBF, a queda dos juros pode levar a um valor negativo. No entanto, por uma convenção estabelecida pelo Banco Central, sempre que isso acontece, a TR é zerada.
Qual a importância da TR na economia?
A TR teve um papel importante no controle da inflação no Brasil, especialmente durante a década de 1990. No entanto, com a estabilização da economia e o surgimento de outros indexadores, a TR perdeu relevância ao longo do tempo.
Ainda assim, a TR continua sendo utilizada em alguns contratos e aplicações financeiras, como a poupança e o FGTS.
Alternativas de Investimento
Devido à baixa rentabilidade da TR, existem diversas alternativas de investimento mais rentáveis disponíveis no mercado, como:
- Tesouro Direto: Títulos públicos com diferentes indexadores (Selic, IPCA, prefixado).
- CDBs, LCIs e LCAs: Títulos de renda fixa emitidos por bancos, com rendimentos superiores à TR.
- Fundos de Investimento: Diversificação em diferentes classes de ativos, com potencial de retorno mais elevado.
Conclusão
A Taxa Referencial (TR) é uma taxa de juros de referência que já teve um papel importante na economia brasileira. Embora sua relevância tenha diminuído, ainda é utilizada em alguns investimentos e contratos. É importante entender como a TR funciona para tomar decisões financeiras mais informadas.